Projeto ‘Pra toda superquadra ouvir: canções dos anos 2000’

Pra mim, o rock nacional, ou a música jovem brasileira, pra ser mais abrangente, foi reinventado nos anos 2000. O processo começou ali no finzinho da década de 1990, simultaneamente a algumas transformações tecnológicas e econômicas. Nessa época, um bando de jovens começou a dominar programas de gravação que permitiam produzir discos com uma qualidade bacana e ocupar na internet espaços para divulgação de suas músicas.

Se as gravadoras estavam cada vez menos fortes e mais cautelosas com o que lançavam, e as rádios não abriam mão da prática do jabá, fechando assim as portas para a veiculação espontânea da nova produção, a web e os festivais independentes apontavam um caminho alternativo e um tanto sedutor: conquistar o público de forma direta, sem intermediários. Esse caminho se mostraria depois um tanto mais difícil e tortuoso do que alguns certamente imaginaram (eu incluído), mas essa, digamos, “ilusão” trouxe uma consequência fantástica: a mais completa liberdade artística somada a uma imensa vontade de produzir.

Afinal, pensávamos, se não faço música para as rádios ou para os executivos de gravadora, faço do jeito que mais acredito, em busca de um público que deve estar lá fora e me compreenderá. Como era muita gente pensando e agindo assim, o que se viu foi uma explosão de novas canções, singles, EPs e discos inteiros lançados de forma totalmente livre, contando com o apoio de pequenos selos, gravadoras e revistas eletrônicas para serem divulgados. Foi assim que artistas que nunca alcançaram o que se conhece por fama construíram obras ricas e angariaram fãs.

Algumas bandas foram mais longe que outras, a depender do talento e do quanto estavam dispostas a ralar por aí em bares e festivais. Outras continuam ativas nesta década enquanto algumas chegaram ao fim. Houve até quem, com persistência e trabalho, tenha feito da música uma carreira viável. Contudo, os diferentes destinos pouco importam. O que interessa mesmo, passado já algum tempo, é o conjunto de canções incríveis que foram compostas no espírito dos anos 2000, em que jovens artistas ousaram acreditar que era possível fazer música de uma forma diferente. E fizeram.

Você pode olhar para o quanto de dinheiro esses artistas ganharam e, ao ver que foi nenhum ou muito pouco, julgá-los como fracassados. Mas esse é um ponto de vista muito pobre. Porque esses caras deixaram um acervo fantástico de canções que certamente continuará circulando nas ondas da internet, chegando a novos ouvidos e emocionando as pessoas anos, décadas depois de ter sido feito e gravado.

Por isso, criei o projeto ‘Pra toda superquadra ouvir’. É minha tentativa de mostrar o valor do que foi produzido pela geração de músicos independentes dos anos 2000. Selecionei 12 das minhas preferidas, que marcaram minha vida e me emocionaram, para regravá-las e lançá-las aos poucos na internet, até que eu tenha um novo disco, composto por versões feitas por mim e por um grupo de amigos músicos (todos eles participantes da cena independente). Como se verá, são músicas que surpreendem pela capacidade de nos emocionar com suas belíssimas melodias e nos inspirar com letras que possuem uma qualidade que, lamento dizer, raramente se ouve na rádio e na televisão hoje em dia.

Obviamente, essas 12 são uma parte ridiculamente pequena de tudo que foi criado nos 2000 e continua a ser criado nesta década. Mesmo muitas de minhas preferidas ficaram de fora, geralmente por incompetência minha para reinterpretá-las.

Abraços,

Beto Só.

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Sobre Beto Só

Cantor e compositor brasiliense, Beto Só é considerado hoje um dos maiores expoentes da nova música jovem produzida na capital federal. Em 2011, lançou seu terceiro disco, Ferro-velho de Boas Intenções, que mereceu elogios de publicações como Biilboard Brasil e Rolling Stone, além de ser finalista do prêmio Dynamite de Música Independente.

Seu segundo CD, Dias Mais Tranqüilos, de 2008, foi considerado o melhor lançamento independente nacional pelos jornais Correio Braziliense (DF) e Estado de Minas (MG). O disco mereceu também elogios de veículos como Rolling Stone, Trama Virtual, Jornal do Estado (PR), além de ser lançado, com destaque, no site MySpace.

Seu disco de estreia, Lançando Sinais, de 2005, também foi muito bem acolhido pela crítica especializada, entrando na lista de melhores do ano de veículos como Correio Braziliense, Tribuna Catarinense (SC) e Diário do Pará (PA). A faixa Meu Amor Quem Foi?, de autoria de Beto Só e Ju, integrou a trilha sonora da série de tevê Avassaladoras (Fox/Record).

Beto Só integra o elenco de artistas do selo Senhor F Discos, criado pelo músico Philippe Seabra (Plebe Rude) e pelo jornalista Fernando Rosa (Senhor F). Seus três discos têm produção de Philippe Seabra.

Antes de seguir carreira solo, Beto Só participou ativamente da cena musical de Brasília, tendo integrado bandas como Adeus, Meninos e o projeto Beto Só & os Solitários Incríveis, com os quais lançou CDs demos e participou de festivais como o Goiânia Noise (GO), Porão do Rock (DF) e Super Noites Senhor F (DF).

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