A carta

Screen Shot 2015-12-17 at 5.34.08 PMAmor (será que posso te chamar assim ainda?),

Felix culpa ‪#‎xatiado‬ 😦

Escrevo porque não dá mais. Já faz tempo que quero te dizer umas coisas, mas a gota d’água veio no domingo passado, lá no churrasco no Parque da Cidade. Quando fui pegar uma cerveja pra mim e pro Jorjão, ouvi você comentando com suas amigas que não sabia se eu era fiel a você. Como assim? Somos casados há cinco anos, tá no papel. É a lei. Você insistiu e eu aceitei, mesmo depois de perguntar pros meus amigos e só 59,9% deles acharem uma boa ideia a gente trocar alianças. E só concordaram porque falei que ia ter festão, com uísque e tudo mais. Me esforcei, percebe? Não, parece que não percebe, porque, como vi, você não confia em mim.

Mas quero te dizer que não é você que tem motivos pra ficar chateada. Eu que tenho na verdade. Vários! Olha só:

1) Passei os quatro primeiros anos do nosso casamento como marido decorativo. Ia nas festas que você arrumava e ficava na rodinha das suas amigas meio de lado, sem assunto. Deixei de ser protagonista da minha vida. Sempre que eu dou uma ideia, você diz que tem uma melhor. Que nem daquela vez que eu queria ir no show do Wesley Safadão (era a gravação do DVD!), mas você me convenceu a ir numa praia artificial na beira do Lago Paranoá… Nunca entendi aquilo.

2) No domingo mesmo, no churrasco, falei pro Gilsinho escrever os nomes do pessoal que ia participar do amigo-oculto numa folha, mas você logo falou que a Solange tinha a letra melhor. Sabia que o Gilsinho era indicação minha, mas nem ligou. A Solange acabou escrevendo os nomes. E eu ainda tirei a chata da Valéria.

3) Eu sou seu marido, mas você ignorou minha posição no dia que entrou um morcego pela janela. Você chamou o seu Jurandir pra capturar o bicho, mesmo eu sendo contra. Você sabe como tenho medo de morcego. É trauma de infância. Custava fazer como eu sugeri? A gente se trancava no quarto e torcia pra ele sair enquanto dormíamos. Mas não, chamou o seu Jurandir. Pra não ser humilhado, tive de me esconder no quartinho de empregada, pro seu Jurandir não achar que sou frouxo. Mas ele sabia que eu já tinha chegado do trabalho, porque nada que acontece no bloco escapa daquele homem.

4) Gentil que sou, converso sim, amor, com muitas mulheres. Acho que gentileza gera gentileza. Dessa forma, fiz várias amizades que já nos ajudaram muito. A Silvana, por exemplo, vem sempre aqui em casa com uma tigela cheia das broas que ela faz, tá toda hora perguntando se a gente não precisa de uma xícara de açúcar, vive dando umas ideias pra redecorar a sala. Mas você parece que implica com a coitada, nem disfarça a antipatia.

Por isso e por muito mais, amor, sinto que já não dá mais. Você não confia em mim, lamento. Fui morar com a Eduarda.

Crônica que publiquei ontem no Correio Braziliense.

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