Como é ser mulher

Eu tinha 10 anos. Passava férias em Fortaleza com minha família, e, certa manhã, saí sozinho para comprar uma bola de frescobol em uma loja a dois quarteirões dali. Quando voltava, já quase em frente ao hotel, um homem encostado no capô de um carro me chamou. “Ei, vem cá.” Parei e olhei pra ele. “Vem cá”, insistiu, e eu senti medo. Aquele homem me olhava de um jeito estranho, não parecia gostar de mim, mas me queria mais perto dele. Gaguejei que não podia. “Meu pai tá me esperando aqui”, consegui dizer, apontando a entrada do hotel. “Ah, seu pai. Então tá, pode ir.” Eu me virei e apertei o passo, mas ainda deu tempo de ouvir: “Você é muito gostosinha, sabia?”

Aquela frase fez com que o medo crescesse, e eu disparei a correr. Passei o resto do dia calado e tentando disfarçar que estava tudo bem, porque a última coisa que eu queria era ter de contar para alguém o que tinha acontecido. O medo se misturou com a vergonha. Ele achou que eu era menina, pensava às vezes. E depois me indagava, apavorado: o que será que ele teria feito comigo se eu tivesse ido até ele?

A vergonha que senti por esse momento fez com que essa história permanecesse um segredo por anos. Só na adolescência, por volta dos 16, 17 anos, senti segurança para contá-la a uma amiga, que tinha acabado de viver algo semelhante. Ela tinha 14 anos. Depois disso, contei para outros poucos amigos e amigas. Ainda agora, me pergunto se vou mesmo publicar este texto.

Os anos se passaram e eu me interessei pelo teatro. Em Brasília, já acontecia o Jogo de Cena, mostra artística que reúne pequenas apresentações de música, dança, teatro, artes plásticas. Um dos quadros era o Desafio da Noite, do qual adorava participar. As equipes recebiam um tema e tinham de apresentar um esquete a partir dele. Um dia, uma dupla de amigos — Paula e Carlos — havia se inscrito, mas Paula desistiu. Entrei em seu lugar e, quando viram aquela figura imberbe, gordinha e de cabelos meio crescidos, algumas pessoas acreditaram que eu realmente fosse Paula, como o apresentador tinha anunciado.

Dias depois, meus amigos riam da história, porque uma menina, que estava curiosa para saber quem era a tal Paula, que tinha ficado com Fulano, não acreditou quando me viu no palco. Ela tinha pensado: “Não acredito que Fulano quis ficar com essa gorda”. Nesse caso, a confusão não me deixou mal como da primeira vez. Tinha me transformado num adolescente que gostava de provocar e deixar as pessoas confusas, era um rebelde. Ri também.

Hoje, porém, percebo que, das duas vezes em que soube que alguém havia me confundido com uma mulher, fui, primeiro, sexualmente ameaçado, e, depois, tive minha aparência criticada. Minha experiência como mulher, então, foi a seguinte: eu estava feliz, fazendo coisas de que gostava, e, de repente, apareceu um estranho que me agrediu de alguma forma. Foi muito sofrido ser mulher, e só tive de sê-lo por duas vezes. Imagino como seja cansativo, amedrontador e, por isso, revoltante, ser mulher a vida inteira nesse mundo nosso. Esse mundo nosso precisa mudar. Nós precisamos mudar e parar de estragar a felicidade de mulheres. E é tão simples. Basta que as deixemos em paz, livres.

84 comentários em “Como é ser mulher

  1. Republicou isso em lucianadonedae comentado:
    Obrigada, Beto, pela sua sensibilidade e por dizer que precisamos todos ser deixados em paz. As mulheres, as crianças, sejam elas meninas ou meninos, que não devemos viver sendo ameaçados ou criticados.

  2. Gostei tanto do seu texto. Singelo e no ponto. É isso. Deixem a gente em paz. Olhando alguns meninos do ensino médio, em uma escola da elite paulistana onde trabalho, em franco desenvolvimento de seu machismo, eu penso, “meninos, vocês devem estar cansados também de bancar os durões, não”?!

    1. Cara Erika, obrigado. Sim, mesmo que as mulheres sejam suas maiores vítimas, o machismo oprime homens também, com certeza, até como forma de cooptá-los, me parece. Um beijo.

    1. Infelizmente, Leilane. Começar a mudar isso, ao menos, deveria ser nosso legado pras próximas mulheres e homens que virão. Obrigado pela visita. Um beijo.

  3. Eu acho ótimo e acho que também acharia ótimo ser homem! A mim o sexo é detalhe, sou ser humano e com certeza, me faria respeitar de qualquer forma! Gorda, magra, feia, bonita, inteligente ou limitada! Cultivar carácter e auto-estima é obrigação dos pais.

    1. Não me resta dúvidas de que ser mulher é incrível, Eda. Em nossa sociedade, porém, os gêneros recebem tratamentos muitos diferentes, de forma injusta. Minorias também. E esse tratamento diferenciado pode agredir e ferir mesmo pessoas que receberam todo o carinho e apoio dos pais. Um cultura de mais respeito e empatia faria bem a todos nós. Obrigado pela visita.

  4. É disso que precisamos ! Não que meninos e homens sejam ameaçados ou intimidados , mas que entendam o ponto de vista ( e vida ) de ser mulher , para se engajar nessa cruzada !

  5. Adorei seu post! Agradeço em nome de muitas mulheres assediadas ( e principalmente pela minha filha, um começo de mulherzinha) de forma permanente, independente de dia, hora, local ou modelito.
    Pessoalmente tive poucas, mas horríveis, experiências. Pois o assédio não se mede em vezes, mas sim nas marcas e memórias q ficam.
    Abraço!

    1. Marcia, obrigado pela visita e pelo comentário. Sim, são marcas que ficam muito tempo, infelizmente. Que sua filha encontre um mundo mais acolhedor com a nossa ajuda. Um beijo!

  6. Esse ser maravilhoso a mulher meus respeitos tem minha eterna admiração temos que fazer o melhor para proteger de abusos de homens estúpidos sou homem mas o deio brucutus em formas homem tem que ser horados

  7. Oi Beto, aqui Yara, cantamos juntos no “Adeus meninos…” (lembra? sempre faço essa re-apresentação, pensando na profusão de “yaras” rsrsrs)… li seu texto hoje, depois de vê-lo compartilhado por amigos no face… compartilhei também! As coisas mais simples falam diretamente ao coração. OBRIGADA

  8. Simples assim: deixem as pessoas viverem em paz, homens, mulheres, o que for. Respeito acima de tudo. Ótimo texto, parabéns!

  9. Oi, Beto! Já li faz tempo mas não tinha deixado meu comentário. Lindo texto, excelente reflexão. Beijo grande.

  10. Fez um bem enorme em compartilhar conosco seu texto, Beto. Ainda semana passada estava comentando com uma amiga a maneira cruel que nos descobrimos mulheres… no meu caso, foi um porteiro do prédio onde eu morava. Tinha também 10 anos como você e senti nojo, repulsa dele, porque o mesmo me abraçou por trás e me soltou essa mesma frase “você é uma menininha gostosinha”. Eu, uma criança, nem sabia o que ele queria dizer com aquela frase nojenta… não precisava ser assim, não é mesmo?

  11. O mundo carece de sua sensibilidade! Parabéns por dividi-la com o mundo cruel do qual vivemos no momento de retrocesso.

    1. Eliana, obrigado. Sinto que temos de nos opor a esse retrocesso. Vamos juntos! O mundo cruel ainda abriga muita gente boa, e muita gente que só precisa ser esclarecida… Um beijo.

  12. Respeite as mulheres como você gostaria ou espera que respeitem sua mãe, sua irmã. Não sou hipócrita. Brinco com mulheres. Mexo. Mas pense desta maneira. São mães, irmãs e filhas de alguém. Pense que poderia ser de você. Então, passe a respeitá-las como o deve ser.

    1. Sim, Luiz, respeitemos. E também nos perguntemos como alguém mais frágil, vulnerável, pode se sentir com nossas brincadeiras ou quando mexemos com ela. Talvez, o que pra um homem é só uma brincadeira, pode ser algo amedrontador para o outro lado. E quando isso se repete várias e várias vezes, pode ser algo muito opressor. Precisamos nos colocar do lado de lá. Não como um homem que ouve uma brincadeira, mas como uma pessoa fisicamente mais frágil, socialmente mais oprimida. Precisamos levar a sério a queixa dessas mulheres e mudar a forma como nos relacionamos com elas. É um aprendizado pelo qual devemos passar. Fique em paz, meu caro. Obrigado pela visita!

  13. Olha, acho corajoso o seu texto Beto. Quando era criança um homem velho, muito velho até, em pleno centro de Salvador, se aproximou, me chamou e disse: ” Menino cara de macaquinho vem cá! Vem pra você ver”. E acenava chamando enquanto ia se afastando devagar olhando para mim.. Eu parado estava onde meu avô me disse para estar esperando ele num poste em frente a Farmácia fiquei..imóvel, enquanto aquele estranho se afastava. Fique talvez pelo susto, ou por nem saber o que fazer direito e muito pela obediência plena ao meu Avohai( Avô+Pai) que me criou. Sempre acreditei, por ser espírita, que os espíritos de minha mãe biológica e de minha mãe-avó me protegeram daquele porco nojento com jeito de nazista, e hoje sei que ele era uma porcaria de um pedófilo nojento.

    Esse seu texto remonta a muitas coisas, dentre elas o assédio vergonhoso e desqualificado, à exposição que crianças tem o tempo todo e como não contamos as coisas aos nossos pais, e que o mundo há um bom tempo deixou de ser romântico para ser doente e (ir)racional.

    Eu não contei ao meu avô pois fiquei com medo que ele achasse que fiz algo errado, e tivesse desrespeitado um “mais velho”. ENTÃO PEDOFILIA INFELIZMENTE NÃO VEM DE HOJE BETO, E NEM ASSÉDIO. ACONTECE, SEMPRE ACONTECEU E MUITO MAIS DO QUE SE IMAGINA, SÓ QUE HOJE A VIOLÊNCIA E O MEDO CRESCERAM JUNTO.

    Vejo que o mundo está tão doente que inibe as pessoas de terem uma paixão à primeira vista e ir atrás dela simplesmente e lhe dizer a esta moça ou a este moço que sentiu seu coração quase sair pela boca só por te ra sorte de poder lhe ver e de sentir o seu perfume no ar, como algo arrebatador. Hoje lhe pediria o contato ( e-mail, zap, fone, face, insta). Noutros tempos ofereceria um chá ou sua companhia até onde fosse, no caso do cavalheiro, e a donzela enrubesceria, soltaria suspiros que seriam ouvidos a metros de distância. De repente ele/ela seguiria de mansinho sua paixão para saber onde moraria ou trabalharia, e faria de tudo para todos os dias passar nesse mesmo caminho, à mesma hora, na tentativa de rever esta pessoa. E depois de um bom tempo remoendo, após confabular com um amigo ou amiga, num ato de coragem e loucura passaria umas “trocentas” vezes para lá e para cá até bater na porta deste ou desta, Engoliria em seco a emoção e pediria, tremendo, apenas um copo d’água, só para estar ali.

    Hoje ao abordar alguém podemos ser chamados de louco ou louca pois quase matou essa pessoa de susto, ouviria um ” vai procurar o que fazer seu lezado”, ou que está atrasada para algum encontro ou trabalha, faculdade, etc, e não tem tempo para idiotas; poderá tachado de estuprador, tarado, e a pessoa sairá pedindo socorro; suspeitarão de assalto, filmarão você sendo exposto ao ridículo e isso irá viralizar via “zap” e/ou trolarão ali mesmo na hora sem dó nem piedade.

    É.. o mundo perdeu a ingenuidade, deixamos de ter horinhas de descuido e andarmos distraídos, perdemos todo o romance e o charme. Estamos ficando cada vez mais superficiais e amargos, distantes se falando por computadores e smartphones. É…. evoluimos!? Temos informação, mas o mal globalizou e o amor é cada vez mais raro.

    Abraços meu caro.

    1. Luis, muito triste sua história de infância. Quero daqui te mandar conforto, um abraço amigo, por ela, mesmo tendo passado tanto tempo. Acredito que se você viver uma paixão à primeira vista saberá chegar de forma respeitosa e não ameaçadora… Mas sabemos que paixões à primeira vista são eventos raros. Em quase a totalidade das vezes, as abordagens masculinas são meros exercícios de poder, que não buscam uma aproximação sincera, mas apenas um prazer egoísta, uma diversão às custas de uma pessoa que, por diversas razões, se sente desprotegida e é obrigada, como forma de se preservar, a aceitar a situação. As mudanças de comportamento que as mulheres pedem devem mesmo nos deixar perdidos por um tempo sobre como agir. Mas eu tenho a convicção de que esse incômodo que sentiremos durante nossa adaptação não chega nem perto do sofrimento a que elas estão sujeitas diariamente. Me parece uma troca justa, pois. É mais justo um mundo em que homens ficam em dúvida sobre como agir do que este de hoje, em que mulheres são obrigadas a conviver com medo, desrespeito e incômodos causados por estranhos. Para construir um novo mundo, todos teremos de passar por um processo incômodo de adaptação. Mas tenho certeza de que valerá a pena se chegarmos lá. Obrigado pela visita, meu caro. Abraço!

  14. Ê dureza… Nada desse negócio de “deixa a vida me levar”. A gente pega a vida pelas mãos e vai, dignamente, fechando a porta pra vampiros e abraçando os brothers and sisters pelo mundo. Texto irreparável. ❤

    1. Bravo, Marcia! Tomemos a vida pelas mãos e lutemos. Lutem, vale a pena. Um dia, tive um insight, pensando naquela frase “Os ignorantes são mais felizes”. Pensei o quanto discordo dela e concluí que a infelicidade não reside no conhecimento, reside na paralisia. Mesmo que a luta seja árdua, se ela é justa, deve ser lutada. E ao abraçar a luta, encontraremos brothers e sisters que nos farão ver que a vida tem sentido quando levada por nós. Vamos juntos! Um beijo.

  15. Adorei seu texto!
    Principalmente porque ele mostra como as próprias mulheres são críticas umas com a outras. Venho falando isso com amigos, sobre como as próprias mulheres se agridem e de certa forma são machistas.
    Obrigada pelo carinho de compartilhar suas histórias. ❤️💗❤️

    1. Obrigado, Carolina. Sim, às vezes as mulheres reproduzem o machismo. Mas eu vejo aquela menina que mencionei no texto como alguém que só não tinha tido ainda a chance de questionar aqueles valores que ela tinha aprendido. Acho que não devemos ser tão duros com as mulheres que, inconscientemente, reproduzem o machismo. Me parece que elas estão apenas incorporando a opressão que sofreram tanto tempo, ouvindo sempre e de tantas formas que uma mulher só tem valor, só merece ser admirada e desejada, só pode ser feliz, se for bonita – e ser bonita é o que um conjunto de valores criados por valores machistas determinam. Às vezes, no dia a dia, vejo uma mulher se colocar contra outra apenas por uma disputa pela atenção masculina. Nessa hora, não vejo nenhuma vilã, mas duas mulheres que ainda estão presas à necessidade de ter a atenção, a aprovação masculina para se sentirem bem consigo mesmas, se sentirem valorizadas. E elas só agem assim porque acreditaram (e é muito difícil não acreditar) que são os homens que conferem a elas valor ou não. As mulheres precisam se unir. Só assim serão mais fortes para encarar essa opressão toda sobre elas. E a união passa, me parece ao menos, por estender a mão às que ainda reproduzem o machismo. Não sei, são só ideias… e de um homem :-). O protagonismo da luta feminina deve ser de vocês, sempre. A nós, homens, nessa luta, cabe o papel de fiéis apoiadores, ajudantes e, acima de tudo, aprendizes. Um beijo!

      1. A sororidade é importantíssima. Até no momento de ver o erro daquela pessoa e aceitá-lo.

  16. Beto, muito obrigada por compartilhar teu relato. Teu texto é sensível e consegue expressar de forma clara e objetiva um problema social que merece mais e mais discussões.

  17. Obrigada, Beto. Suas palavras são o melhor texto de solidariedade que eu já li na vida. Mulher ouve muito mais do que fala, embora os homens não saibam disso. Entre tantas ofensas, “Tá na TPM, né?”, é ridiculamente grosseiro e desrespeitoso, e já ouvi mulher dizer isso à outra, em tom irônico. Seu depoimento traz alívio e esperança a muitas que só receberam críticas. Grata.

  18. Mas as mulheres precisam saber que elas mesmas podem mudar isso, agindo diferente com os filhos. Meninos TÊM que aprender a respeitar mulher, e meninas TÊM que aprender a identificar e desprezar os que não as respeitam. A corrente do abuso precisa da iniciativa das mães, avós, tias. Esperar que os homens mudem não adianta, vamos agir.

  19. Olá! Fiquei muito feliz em ler este texto. Feliz porque você conseguiu transmitir para várias pessoas o que nós mulheres sentimos diariamente. São assédios de todas as formas e a “obrigação” de responder a um padrão estético atraente proposto pela sociedade. Agradeço mais uma vez por compartilhar.
    Grande abraço.

  20. Cara, muito obrigado. Sofro até hoje com uma história sombria de minha infância, apesar de ter 39 anos de idade. Talvez agora eu converse com alguém… Valeu mesmo.

    1. Emerson, fico feliz de saber que o texto pode ter te ajudado a conversar. Se aconteceu na sua infância algo ruim, a culpa não foi sua e não há nenhum motivo para se envergonhar. Esse sofrimento não é nada justo e você merece superá-lo. Pela minha experiência, conversar com pessoas de confiança ajuda mesmo. E, pra mim, ter procurado uma terapeuta aos 20 anos foi maravilhoso. Também recomendo. Fique bem, meu caro. Um grande abraço.

  21. Beto, vc é o sonho de toda mulher! Alguem que sente e nos ve com nos olhos da alma! Bjs no coraçao

  22. Aos doze anos, a caminho da escola e por dias e dias, fui perseguida por um safado, e nunca tive coragem de dizer ao meu pai… Mutos anos depois, em período de recuperação por parto tão complicado (até dpp sofri), soube que um colega de escola me descrevera (abismado) como ‘envelhecida e feia’. Ah, as aparências de quem vive as experiências e as de quem as julga!… Hoje dá para rir de tudo, e o aprendizado ficou, mas, à época, como magoou! Isso: deixemos as mulheres em paz. Criatura, como o texto retrata – e bem escrito, ainda por cima. Parabéns pela síntese e pelo estilo!

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