Gabriel García Márquez, África do Sul e os Solitários Incríveis

 

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A morte ontem de Gabriel García Márquez gerou em mim lembranças afetivas. Já mencionei algumas vezes aqui no blog que fiz intercâmbio na África do Sul em 1994. Antes de partir, tinha lido ‘Os funerais da mamãe grande’, livro de contos do escritor colombiano, e ficado muito tocado com a primeira história: ‘A sesta de terça-feira’. Uma mulher viaja acompanhada de uma menina até uma pequena cidade, onde deseja visitar o túmulo do filho, um ladrão que foi morto e enterrado ali. A dignidade com que essa mãe enfrenta os olhares julgadores dos habitantes do lugar é desconcertante e faz a gente ficar pensando, tomado por uma emoção estranha, difícil de nomear. Foi assim comigo ao menos.

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Quando estava na África, paramos, durante uma viagem de carro, em uma pequena cidade chamada Pilgrim’s Rest, onde muita gente vai para ver o Túmulo do Ladrão. Em um pequeno cemitério, uma das covas se destaca por ser a única virada para o sul, enquanto as demais estão voltadas para o nascente. Ali, contaram-me que a sepultura era de um homem que foi pego roubando no local. Como punição, teve as mãos cortadas, foi executado e enterrado sem direito a qualquer ritual religioso.

robbers_graveConfesso que fiquei muito impressionado em ver, de certa forma, o conto de Márquez se materializar à minha frente. Foi durante minha estada no país que compus ‘Robber’s Grave ( a sesta de terça-feira)’, uma canção que fazia parte do repertório dos Solitários Incríveis, minha antiga banda. Abaixo, posto a música, retirada do SoundCloud do Capa, ou Marcello Souza, que toca o baixo. Na bateria, está o Txotxa, e, na guitarra, o Ju. A gravação, nunca terminada, faria parte do primeiro disco do grupo, que não chegou a ser concluído. Então, por favor, perdoem a qualidade do material, sem mixagem, e os errinhos que aparecem aqui e ali…

Robber’s grave (a sesta de terça-feira)

A minha cova é a única voltada para o sul
O ladrão apagado, o sepulcro abençoado por ninguém
Mas você vem

Beije o cimento fresco e sinta a minha boca
De dentes claros como os sonhos teus
E você vem
E só você vem

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