Comentários sobre Ferro-velho…

Amigos, a TramaVirtual me convidou para comentar as faixas do meu novo CD.  Ficou muito legal o jeito como organizaram. Vocês podem escutar as músicas enquanto leem os textinhos. Quem quiser conferir lá no site deles, basta clicar aqui. Ou vejam aí embaixo!

Abraços.

Faixa a faixa: Ferro-velho de boas intenções, Beto Só

Por Regiane Ishii

Lançando seu terceiro disco, convidamos o brasiliense Beto Só para um Faixa a faixa. Assim como em ‘Lançando sinais’ (2005) e Dias mais tranquilos (2008), a parceria com a Senhor F Discos e com o produtor Philippe Seabra (Plebe Rude) é mantida em ‘Ferro-velho de boas intenções’.

A resposta ao nosso convite veio caprichada. Beto conta o que o acompanhou durante o processo de criação: reflexões políticas, cinema, literatura e o melhor da tradição “singer/songwriter” (Elliot Smith, Nick Drake, Neil Young). As novas canções entraram direto em nosso Top 100 e poderão ser vistas ao vivo neste fim de semana: sábado em Curitiba (Pepper’s Bar) e domingo em Porto Alegre (Opinião).

‘Boas intenções’ (Beto Só / Ju)

Essa foi a que deu mais trabalho para arranjar. Eu e Ju (guitarrista) discordamos no começo sobre como ela deveria ser, mas sabíamos que estávamos fazendo uma música da qual iríamos gostar muito. A letra já estava pronta quando ele decidiu recomeçar do zero e criou a guitarra que abre a música e deu a ideia de o violoncelo ficar sozinho em determinado momento, compondo o arranjo pra essa parte. Eu criei a linha do violoncelo do refrão. Depois, optamos por um baixo e uma bateria bem discretos, como o Elliott Smith gostava de fazer. É a minha preferida do disco, com letra muito confessional. Tenho dificuldades para dizer não e acabo passando impressões erradas pra muita gente, causando decepções. E também abandono muita coisa por não me considerar bom o suficiente. Acabou dando nome ao disco.

‘Passado melhor’ (Beto Só / Ju)

Foi composta a partir do riff de guitarra do Ju. Ele me passou a harmonia e eu coloquei letra e melodia. Gosto do final, em que repetimos uma sequência de apenas três acordes, mas num tempo 4×4. Causa uma estranheza, com uma linha circular de violoncelo, muito bem tocado pelo Ataide Mattos. Na letra, pensei em amigos que não via há tempos e como estou envelhecendo, sentindo, pela primeira vez na vida, saudade do passado. Mas a letra termina falando da necessidade de seguir, de enfrentar esse tempo que parece pior.

‘Vivendo no escuro’ (Beto Só / Ju)

Outra que surgiu de um riff que o Ju fez no violão. Algo que me lembrou muito Nick Drake e me entusiasmou a compor algo. A melodia de voz e do violoncelo seguem essa melodia do violão. O Txotxa e o Tharsis (bateria e baixo) complementaram muito bem a música, levando ela pra uma coisa mais Neil Young. O produtor do disco, Philippe Seabra, tocou piano também. Fiz a letra meio puto com as discussões sobre aborto no fim da campanha presidencial do ano passado, quando a religião começou a influenciar o futuro político do país. Eu interpreto a letra como um recado às pessoas que adotam o discurso de se apoiar em Deus enquanto elas mesmas estão se sabotando.

‘Pronto é ilusão’ (Beto Só / Fernando Brasil)

Essa é a primeira música que gravo e que só fiz a letra, sem participar em nada da composição musical. Eu tinha essa letra sobrando e mandei para o Fernando Brasil (do Phonopop e The Johnny Nit Circus). Ele compôs todo o resto. Pro disco, chamei o Fernando pra gravar os violões, porque ele sabe fazer esse dedilhado bonito que eu não sei. É a primeira música de amor do disco. Fala um pouco sobre fugir de alguém, seja por insegurança, por imaturidade ou só porque você não gosta mesmo da pessoa. É a minha música estilo “Ele não está tão a fim de você”.

‘Nem igual’ (Beto Só / Ju)

Mais uma parceria com o Ju. Gosto especialmente da harmonia que ele criou. A letra surgiu muito rapidamente, junto com a melodia de voz e, sinceramente, ainda não sei muito bem o que ela significa. Não sei por que tive vontade de cantar sobre pessoas que perdoei no final. Acho que ficou emotiva.

‘Medo da vida’ (Beto Só)

Fiz num dia em que queria compor algo sobre como Brasília ficou refém dos concursos públicos. As pessoas aqui se jogam nesse mundo de estudar pra virar servidor público e parece que nem se perguntam o que elas desejam de fato para a vida delas. E elas ficam com a sensação de serem perdedoras quando não são aprovadas nuns testes absurdos. É um horror essa situação. O resultado ficou emotivo e a música cresceu muito no estúdio graças ao trabalho de produção do Philippe.

‘Rumo ao futuro’ (Beto Só)

‘Rumo ao futuro’ tive vontade de fazer enquanto lia ‘Amor líquido’, do Zygmunt Bauman. Ele fala ali de como amar é abraçar o destino, pois você nunca tem controle sobre a outra pessoa. Entregar-se ao amor é como dar um passo no escuro. Achei isso lindo e fiquei inspirado pra compor essa que é a segunda canção de amor do disco.

‘Poema rejeitado’ (Beto Só)

É a música mais antiga do CD. Fiz quando tinha uns 19 anos (ou seja, já tem quase 20 anos que a escrevi), ainda na minha primeira banda, a Adeus, meninos. Depois a toquei na época do Beto Só e Solitários Incríveis, minha última banda antes da carreira solo. Na época, eu já ouvia muito Nick Cave e tentei ser um pouco cronista e caótico. Depois fiquei meio chocado com a letra, dizendo que aquele absurdo de meninos serem atropelados fazia sentido e resolvi chamá-la de ‘Poema rejeitado’. Quando comecei a pensar em compor um terceiro disco, lembrei dela e resolvi que iria gravá-la. De certa forma, ela norteou todo o trabalho, pois neste disco eu queria falar mais da vida e menos do amor.

‘O caminho para casa’ (Beto Só e Ju)

Sentimos que precisávamos de um tema instrumental para separar o restante do disco de ‘Tempo cruel’, uma música mais feliz e com letra mais otimista que encerra o CD. Compus com o Ju também e dei o nome de um dos meus filmes preferidos, do chinês Zhang Yimou. Esse título também parece dar a ideia de que finalmente retornamos de uma jornada difícil e agora estamos prontos para tempos mais tranquilos, representados pela última canção.

‘Tempo cruel’ (Beto Só)

Compus depois de assistir ao filme ‘Freud além da alma’. Numa cena, em que Freud está desesperançoso com os resultados que alcançou com suas pesquisas, sua mulher, Martha, diz mais ou menos assim: “De erro em erro, você sempre chega ao ponto certo”. Na hora me deu vontade de escrever uma música e fiz ‘Tempo cruel’. Enquanto a tocava no violão, tive vontade de acrescentar sopros no estilo de ‘The Universal’, do Blur, e compus a melodia que no disco é tocada por Gedeão Lopes (trompete) e Paulinho do Trombone (trombone).

Anúncios

0 Responses to “Comentários sobre Ferro-velho…”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Contato

humberto.rezende@gmail.com

Comprar CDs

Clique para baixar o CD (.zip)

Twitter

Instagram

Meu carrinho de autorama. #AyrtonSenna #toleman Tempo. Boa noite. Sem filtro, com exceção do Juno. Beijos.

Arquivo


%d blogueiros gostam disto: