Rock de Brasília vive

Reportagem do Correio Braziliense, assinada por Pedro Brant, discute o desafio de gravar o segundo disco, aproveitando como gancho o fato de várias bandas legais de Brasília estarem prestes a lançar suas segundas obras. O bacana é que a matéria acaba mostrando que as atuais bandas da cidade estão conseguindo constituir uma obra, dando continuidade aos seus trabalhos de estreia. Estou ansioso pra ouvir esses discos, especialmente as novidades de Club Silencio, Phonopop (foto) e Suíte Super Luxo. Eu apareço na matéria contando sobre o desafio que foi fazer o ‘Dias mais tranqüilos’, de 2008, e como foi mais fácil preparar o terceiro CD.

Músicos brasilienses comentam a “crise do segundo disco”

Pedro Brant

A história é antiga: banda nova lança elogiado disco de estreia, arregimenta fãs, chama a atenção da imprensa, viaja fazendo shows. Daí, derrapa no trabalho seguinte e coloca a perder o que havia conquistado. É a chamada “crise do segundo disco”. Os motivos para a decepção são vários. No afã de dar continuidade ao bom resultado obtido com o primeiro álbum, muitos artistas se repetem no segundo — ou pior, simplesmente não apresentam um repertório tão inspiradas quando antes. Outros, na tentativa de buscar novas sonoridades, acabam descaracterizando seu som e afastando o público. A história do rock comprovou que o caminho do meio, entre a inovação e a afirmação da identidade, pode ser uma saída interessante. Em um ano no qual diversas bandas brasilienses lançarão seus novos trabalhos, cabe a questão: a crise do segundo disco pega por aqui?

“Não passamos por uma crise criativa, eu diria. Encaramos o novo disco simplesmente como a continuação da nossa trajetória. Eu não queria me repetir em termos de composição. Mas à medida que as músicas surgem, elas vão apontando outros direcionamentos. E esse processo de construção é muito legal”, comenta Luc Albano, vocalista do quarteto Suíte Super Luxo sobre o sucessor de El toro, o elogiadíssimo disco de 2004 — que ficou entre os 10 melhores do rock de Brasília em enquete feita com músicos da cidade pelo Correio em 2009.

A crise criativa passou de raspão por Paulo Raymundo, baixista e vocalista dos Gramofocas. “Fiquei meio travado na época em que estava casado, quando cai tudo na mesmice, sabe? Não vivia mais aventuras, nem tinha tempo de pegar o violão e ficar na frente da tevê tocando… Mas a partir do momento em que voltei a compor, o novo disco saiu quase inteiro”.

O cantor Beto Só diz que passou por uma crise leve na época da preparação de Dias mais tranquilos (2008), seu segundo disco. “Você tenta fazer algo diferente do primeiro, mas ao mesmo tempo quer mostrar que seu trabalho tem uma marca. Ou seja, quer manter unidade, mas fazendo algo diferente. E aí começa a se encher de perguntas sobre qual caminho a seguir. Isso gera uma insegurança. Daí, quando o disco sai, você fica meio chateado quando alguém diz que o primeiro era melhor, dá uma sensação de pequeno fracasso”, argumenta Beto.

“Eu acredito que essa crise pode abalar bandas famosas, que têm que corresponder às expectativas da mídia e de uma massa de fãs. O Club é uma banda independente, de modo que a única expectativa que temos a superar é a nossa — nos cobramos muito para fazer sempre algo minimamente novo, instigante”, afirma Daniel Spot, baixista da banda Club Silêncio, que lança em 2011 Amor e terror, terceiro disco da carreira.

A tranquilidade para compor, reforça Luís Fernando, vocalista e guitarrista do Club, é um trunfo: “Nos vemos livres de pressão em termos de tendências e coisas do tipo. Não ter pressões externas sobre nós facilita e muito em termos de criação. Temos liberdade para provocar e instigar sem maiores preocupações”.

Expectativas
O quarteto Phonopop teve de lidar com pressões antes mesmo do lançamento do primeiro disco — o que quase implodiu a banda, como lembra o vocalista e guitarrista Fernando Brasil: “Existia uma expectativa em cima do grupo de ser a próxima banda de Brasília a entrar no circuitão mainstream”. A feitura do segundo álbum, ele conta, foi bem mais tranquila. “Conseguimos trabalhar o disco exatamente do jeito que a gente queria. Os desafios foram mais técnicos mesmo, de dar coesão para o material, já que ele foi gravado em quatro estúdios diferentes.”

Vocalista e compositor da banda Superquadra, Cláudio Bull não fala em crise, mas de uma certa responsabilidade. “O Tropicalimo minimal (disco de estreia, de 2006) ganhou ótimas críticas Brasil afora, então acontece uma certa cobrança pessoal”, diz o compositor, que está em estúdio finalizando as gravações de Norte, o segundo rebento sonoro do grupo.

Prestes a lançar o terceiro álbum, Beto Só conta que relaxou quando percebeu que o segundo disco era uma espécie de capítulo de um livro maior. “Se o segundo capítulo não for tão bom quanto o primeiro, não tem tanto problema. O que importa no final é ter um bom livro (todos os discos que você vai lançar).” O Correio teve acesso aos novos discos dessas bandas. A julgar pelo que foi ouvido, a história continua e muito bem.

Anúncios

0 Responses to “Rock de Brasília vive”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Contato

humberto.rezende@gmail.com

Comprar CDs

Clique para baixar o CD (.zip)

Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

Instagram

Papai. Faria 83 anos hoje. Saudades. 1996. Casa. #architecture

Arquivo


%d blogueiros gostam disto: