XO, de Elliott Smith

Texto escrito especialmente para a coluna ‘Aquele disco’, do site VeiaPop.
Eu já gostei e ainda gosto de ouvir muita coisa. Mas a partir da adolescência, sempre houve um artista que ocupou o topo da minha preferência e lá ficou até eu descobrir algo novo que o superava. Assim, se tiver de contar da maneira mais abreviada possível a história de meus ídolos musicais, seria, começando aos 14 anos: The Cure, que foi sucedido por Legião Urbana, que foi sucedido por The Doors, que foi sucedido por The Smiths, que foi sucedido por Pixies, que foi sucedido por Radiohead, que foi sucedido por Elliott Smith, que aparentemente nunca será sucedido por ninguém. Desde 2000, quando descobri o cantor e compositor norte-americano morto há seis anos, nunca achei outro artista que me parecesse melhor que ele.
Então, quando o VeiaPop me convidou pra escrever sobre um só disco que marcou minha vida, achei que não seria muito difícil escolher. Pensei: “Vou pegar o melhor disco do Elliott Smith, o que tem o maior número de canções mais fodonas, e pronto”. Sabia que tinha de ser o ‘Either/Or’ ou o ‘XO’. Mas, putz, qual? O primeiro tem ‘Alameda’, ‘Beetween the bars’ e ‘Angeles’, três das minhas preferidas. Seria tão bom escolhê-lo só para falar da metáfora amorosa mais brilhante de que já tive notícia em uma música pop – a de ‘Beetween the bars’. Quando ele canta “I’ll kiss you again, between the bars”, o cara consegue não só descrever a situação do casal andando pela noite e enchendo a cara como mostrar que, de alguma forma, aquele amor é uma prisão, de um beijo entre as barras (ou grades). Brilhante!
Mas ‘XO’, o quarto disco de Elliott e que sucedeu o ‘Either/Or’, tem um conjunto de músicas muito matadoras: ‘Waltz #2’, ‘Pitseleh’, ‘Waltz #1’, ‘Oh well, okay’, ‘Everybody cares, everybody understands’, ‘I didn’t undestand’. Todas obras-primas de melodias encantadoras e letras destruidoras, dessas que te derrubam primeiro e depois fazem você renascer. Que poder é esse que as belas baladas que apresentam a solidão da forma mais crua têm de oferecer alento a quem as ouve?
Morrissey disse certa vez que fazia aquelas letras tristes que recheavam os álbuns dos Smiths para que as pessoas soubessem que não estavam sozinhas, que havia outros que se sentiam como elas. Não acredito que Elliott Smith dissesse algo do tipo. Ele parecia ser muito modesto sobre seu processo criativo e sobre a importância que sua música podia ter. No entanto, essas seis canções que destaquei de ‘XO’ têm a incrível capacidade de me fazer companhia, de me fazer sentir, de alguma forma, conectado com a humanidade. E, estranhamente, mesmo que apresentem um estado de melancolia que reconheço em mim mesmo, têm o poder de me deixar mais feliz.

Então, se fosse obrigado a levar um só CD para a tal ilha deserta, seria ‘XO’, de Elliott Smith, lançado em 1998. Às vezes ouviria de cabo a rabo, de ‘Sweet adeline’ a ‘I didn’t understand’. Mas às vezes escolheria só uma faixa para ficar ali, no repeat, exaustivamente, como faço tantas vezes ainda hoje, descobrindo novos significados para a letra e sendo possuído pela melodia.

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4 Responses to “XO, de Elliott Smith”


  1. 1 k 07/09/2010 às 13:03

    >beto,q surpresa boa! vim deixar um comentário e li sobre seu disco favorito..amo todos os artistas que vc citou. não conheço elliot, mas ouvirei pq fiquei super curiosa…'que poder é esse que as belas baladas que apresentam a solidão da forma mais crua têm de oferecer alento a quem as ouve?'era sobre isso q queria agradecer a você.hoje, ouvindo suas músicas pela manhã, percebi como há 1 ano, elas tinham um significado totalmente diferente para mim, trazendo lembranças muito fortes, algo como torturante saber q as letras falavam tanto de mim…mas, hoje, dps q as coisas foram superadas, senti emoções muito boas com suas músicas. nunca imaginei q 'meu amor quem foi', por exemplo, poderia fazer tanto sentido em minha vida!obrigada pela sua música, beto, era isso q eu queria dizer=]grande abraço!

  2. 2 Beto Só 07/09/2010 às 13:08

    >Kamila, eu é que agradeço esse retorno tão generoso. Fico muito feliz, de verdade!Bj.

  3. 3 minimus 25/09/2010 às 02:39

    >waltz #1 é simplesmente linda!um detalhe, no mínimo, interessante: há várias luas atrás.. eu lembro que ouvi algumas músicas do 'lançado sinais' no trama e defini o que ouvi como sendo 'o que aconteceria se o elliott smith não fosse tãããão deprê'. =Ptchê.. tô no aguardo do próximo album. assim que sair.. dá um grito lá no blog ou manda um mail ou um pombo-correio.. o que der. =Pabrass

  4. 4 Beto Só 27/10/2010 às 18:41

    >Valeu demais, Guilherme. Tamo correndo aqui pra terminar o disco logo. 🙂 Abração.


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