Guided by Guidis

Este será o ano do Superguidis. Dito isso, explico que escrevo, principalmente, estimulado pela leitura de um texto de Carlos Pinduca, vocalista e compositor do Prot(o), a melhor banda de Brasília depois de Legião Urbana, na minha modesta e convicta opinião. Em ‘A encruzilhada dos Guidis’, publicado no blog do músico e na seção de colunas de Senhor F, Pinduca analisa o novo single da banda gaúcha e aponta três possíveis caminhos a serem seguidos pelos guris de Guaíba.

Peço desculpas se minha análise for superficial, mas o texto de Pinduca parece dizer, resumidamente, que resta à banda ou o fim, devido à falta de um reconhecimento mais amplo; ou uma adaptação estética para se inserir em um esquema maior e, assim, garantir o sustento da carreira; ou – e esta é uma possibilidade na qual o autor não parece acreditar muito – seguir um caminho lento, de consolidação da carreira por meio da força de sua obra.

Escrevo agora porque acredito que a terceira opção não só será aquela que os Guidis irão seguir como, acrescento, acho que eles já a realizaram. Daqui a alguns dias, poderemos todos ouvir o terceiro (terceiro!) disco de uma banda formada em 2003. Eu, por causa da posição privilegiada de integrante do selo Senhor F Discos, já tive a oportunidade de ouvir o CD e estou certo de uma coisa: 2010 vai consolidar o Superguidis como uma das bandas mais importantes do meio independente brasileiro.

O que quero dizer com isso? Na prática, que eles terão um público maior do que já possuem; darão uma razoável garantia aos produtores de shows e festivais de que, ao serem contratados, garantirão um público considerável; e, consequentemente, poderão cobrar um cachê legal para tocar Brasil afora. Ou seja, não digo que os Guidis se transformarão em uma banda do nível comercial de… sei lá, Pitty ou Skank. Mas acho que eles atingirão um patamar de nome de destaque na cena independente, o que não é pouco. Aliás, hoje em dia, é tudo.

E o melhor é que isso, no caso dos Guidis, tem tudo para ser o começo de uma fase brilhante e ascendente. Porque o garoto (ou garota) desavisado que for capturado pelas músicas do terceiro disco vai poder ir atrás e descobrir uma banda que já compôs obras assustadoramente sintonizadas – emocionalmente e socialmente – com a juventude brasileira do fim da primeira década do século 21.

Se estou errado, me diga qual banda compôs algo como ‘Mais um dia de cão’ (a realidade de um jovem de classe média baixa que sabe o peso de correr atrás da sobrevivência), ‘Spiral arco-íris’ (um momento terno e apaixonado, lindamente cotidiano, desse mesmo jovem ao presentear alguém de quem gosta com um simples presente de camelô), ‘Discos arranhados’ (cujo verso “Sem dinheiro é foda à beça, você e eu” já diz tudo) etc. etc. etc.?

Isso e muito mais está à espera do público que se apaixonar pela guitarra furiosa de ‘Não fosse o bom humor’ e pela combinação de grunge com a poesia cotidiana que remete ao Renato Russo de ‘O descobrimento do Brasil’ que é ‘Não saio desse lugar’. Sem falar do refrão grudento de ‘As camisetas’ (“Por que será que sempre chove toda vez que alguém te abandona?”), que deve garantir muitos novos fãs à banda.

Justamente por já ter mostrado consistência roqueira e poética em três discos, os Guidis vão firmar definitivamente seu espaço no independente brasileiro. E, a partir daí, mostrar, pra quem ainda não conhece e pra quem ainda não percebeu, o quanto são (desculpem o termo pouco elaborado) fodas. O que virá depois disso ninguém sabe. E é porque hoje em dia não dá mesmo pra saber como as coisas serão. Mas dá pra dizer que elas serão como o caminho que os Guidis vão trilhar. Seja qual for. Seremos Guided by Guidis. Essa é minha aposta.

Anúncios

21 Responses to “Guided by Guidis”


  1. 1 Cassandra 16/02/2010 às 22:54

    >Também tenho certeza de que este sera o ano dos Guidis, eles são ótimos e esse CD novo tem tudo para conquistar não só o respeito mas também o apreço,admiração de muitos roqueiros.

  2. 2 Perzee Loonio 18/02/2010 às 23:02

    >Acho que não. Não vejo como essa banda poderia ser bem sucedida além do seu nicho. Falta carisma, falta mais alma, enfim, falta ser mais cosmopolita…Mas, o fato do Superguidis não ter envergadura para almejar reconhecimento além do seu público segmentado, formado basicamente por estudantes de comunicação, jornalistas e músicos, não significa que a banda não possa construir uma carreira sólida dentro do seu nicho. Várias bandas conseguem isso, seja no Heavy Metal, no HardCore ou no RAP. Basta desencanar dessa história de "grande público".Se fosse o caso de apostar, apostaria tranquilamente no contrário do que presume o autor da postagem.

  3. 3 Perzee Loonio 19/02/2010 às 19:55

    >Ah, só pra constar. Eu gosto da banda e tenho os dois discos, é apenas a minha opinião.

  4. 4 Beto Só 19/02/2010 às 21:57

    >Claro. Sua opinião é bem-vinda. Mas talvez não tenha me expressado como queria. Não acho que o Superguidis alcançará o grande público, mas terá uma projeção maior no cenário independente e que isso pode levar a passos futuros que ainda não sei quais são.Cassandra, obrigado pela visita!

  5. 5 Beto Só 20/02/2010 às 02:16

    >Mas, Perzee, você acha que o público dos Guidis é só de jornalistas, estudantes de comunicação e músicos? Nessa discordo mesmo de você.

  6. 6 P.L. 20/02/2010 às 12:08

    >Não disse "exclusivamente", mas vc não pode negar que a base é formada por esse segmento.No mais, acho que o Superguidis tem um grande diferencial em relação da regra da cena independente. Tem um bom vocalista, que reúne afinação, bom timbre e potência, além de boa interpretação.Abs

  7. 7 Beto Só 21/02/2010 às 22:57

    >bom, sei que há muitos músicos, jornalistas e estudantes de comunicação que ouvem, mas não saberia dizer se são a maioria. tenho a impressão de que tem uma enorme parcela de estudantes de ensino médio. mas é chute, tudo chute.abs!

  8. 8 Silas 23/02/2010 às 22:46

    >Aí Beto, vc que parece ser uma pessoa sensata, devia aconselhar teu amigo Fernando Rosa a parar de se auto-elogiar naquele site dele, isso é muito feio e estrapola todas as fronteiras do ridículo.No texto interminável em que ele se proclama "O cara imprescindível e fundamental" para toda a cena independente, o nome "Senhor F" aparece 29 vezes!!29 vezes, meu amigo. Nem em recalls de montadoras ou em propaganda política o próprio nome aparece tantas vezes. Isso sem citar o fato dele falar de si na terceira pessoa….Conversamos algumas vezes, gosto de vc, mas, cara, esse tipo de coisa que só o Fernando tem a cara-de-pau pra fazer acaba gerando uma antipatia e uma repulsa que reverbera em quem não tem nada a ver com a parada. Chame-o de volta pra realidade.Abraço, velhote!

  9. 9 Fernando Rosa 24/02/2010 às 00:27

    >Bem, já que fui citado. Esses anônimos são estranhos. Se são tão cheios de razão, porque não assinam o que escrevem. Aliás, porque não publicam suas críticas em seus próprios blogs. Todo mundo tem nome, uns se chamam Antônio, outros João, outros, quem sabe, Renato, por exemplo.

  10. 10 Beto Só 24/02/2010 às 00:28

    >Bom Silas, desculpe, mas não me lembro de você, pelo menos assim, só de nome. Mas arrisco dizer que se irrita e sente repulsa pelo texto publicado na Senhor F quem já se sentia assim antes de o texto ser publicado, por motivos que dizem respeito à própria pessoa.O que tenho a dizer é que sinto um orgulho danado de ter meus discos lançados pelo selo Senhor F e que me considero um cara de sorte por ser amigo do Fernando Rosa, um cara que admiro e de quem gosto pacas.Se a antipatia que alguns sentem por ele acaba se refletindo sobre mim, paciência. Não muda minha opinião e respeito pelo trabalho do cara.Na verdade, até me surpreende que as ações da Senhor F ainda incomodem tanto algumas pessoas. Tem tanta gente fazendo coisas legais e conquistando seu espaço no independente de Brasília e do país que realmente não consigo entender por que tanta obsessão pelo Fernando. Essa reclamação parece coisa tão velha… Bola pra frente, velhinho. Vamos ser felizes.

  11. 11 Silas 24/02/2010 às 10:42

    >Ok, mas continuo achando de um ridículo sem tamanho, a pessoa se auto-elogiar e citar seu nome 29 vezes(!!!!) em um texto…Mas, enfim…

  12. 12 Anônimo da Silva Barros 24/02/2010 às 18:07

    >Ah, sim. Só pra refrescar sua memória, não é nem um pouco bonito ficar com um disco que não lhe pertence, viu?Mais feio ainda quando o disco em questão é um objeto de família que sempre foi muito bem cuidado.Não vai devolver o disco e pegar de volta aquela coletânea horrorosa, não, Fernando Rosa?

  13. 13 Beto Só 24/02/2010 às 18:54

    >Mas Silas, Senhor F é o nome do site. Não acho que o Fernando Rosa acredite ser um site, logo não vejo como ele possa ter citado a si mesmo 29 vezes porque escreveu o nome Senhor F 29 vezes. Mas você pode achar quem você quiser ridículo. Eu, por exemplo, acho o Marcelo Dourado e o José Serra ridículos.

  14. 14 Beto Só 24/02/2010 às 18:55

    >É feio não devolver as coisas mesmo. Fernando, devolve o disco do cara aí.

  15. 15 Anônimo da Silva Barros 24/02/2010 às 21:48

    >Obrigado pela força, Beto Só.

  16. 16 Fernando Rosa 24/02/2010 às 22:40

    >meu deus, isso tá ficando muiro estranho, ou quem sabe esclacerecor …

  17. 17 João 25/02/2010 às 11:26

    >Essa poesia cotidiana do Renato Russo já gerou filhotes monstruosos. Falar da panela de presão em que se faz a feijoada, da conta do telefone e banda larga que tem de pagar, tudo isso é muito ruim.

  18. 18 Beto Só 25/02/2010 às 14:04

    >Eu curto, João. 🙂 E acho que a música dos Guidis que citei tem letra bacana, bem boa.

  19. 19 Anônimo da Silva Barros 28/02/2010 às 20:40

    >Então é isso, Sr. Fernando. Se decidir devolver o disco que não te pertence, vc sabe como me contatar.Não precisa nem trazer, pode deixar com o porteiro do teu bloco que eu pego.Basta mandar um e-mail. E resolvemos essa história velha de uma vez por todas.

  20. 20 Anonymous 23/03/2010 às 11:36

    >beto,espero que vc esteja certo qto a superguidis. mas na real passei aqui pra te elogiar. ouvi uma música tua na unisinos FM e procurei saber mais do teu trabalho. ele é ótimo, muito inspirado em todos os sentidos. parabéns,cara. Juliano Tejada – Blumenau/SC

  21. 21 Beto Só 23/03/2010 às 17:50

    >Valeu, Juliano. Obrigado mesmo pela visita!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s




Contato

humberto.rezende@gmail.com

Comprar CDs

Clique para baixar o CD (.zip)

Twitter

Arquivo

Anúncios

%d blogueiros gostam disto: