Um pouco sobre Milk e os gays

Eu já havia achado, assistindo à cerimônia do Oscar 2009, o discurso do roteirista Dustin Lance Black, premiado por ‘Milk’, o mais bonito da noite. Pela carga confessional e emotiva, de longe mais relevante que o de Sean Penn, por sinal também muito bom. Mas uma notícia que li no Correio Braziliense no domingo passado fez com que eu passasse a valorizar ainda mais a fala de Dustin Lance e o filme que conta a história do ativista gay e político Harvey Milk (sobre a qual, admito, eu era totalmente ignorante).

A matéria do Correio mostrava que, no domingo que passou, a resolução do Conselho Federal de Psicologia do Brasil que proíbe terapeutas de tratar a homossexualidade como doença, oferencendo “cura” aos pacientes, completou 10 anos. Ou seja, só a partir de março de 1999 passou a ser inaceitável que um psicólogo diga que pode fazer com que alguém deixe de ser gay. E, pasmem, a decisão foi pioneira no mundo, sendo seguida depois pelos conselhos de outros países.

Se até psicólogos podiam tentar “curar” os gays, o que esperar de pais que cresceram envoltos em medo e precoceito? Me dar conta disso fez com que a coragem de Milk de dizer a tantos gays que não havia nada de errado com eles e que Deus os amava se tornasse ainda mais admirável. Assim como a história do jovem roteirista, que sonhava em levar às telas a história do homem que deu a ele esperanças de poder viver uma vida normal e feliz, em paz com sua orientação sexual.

Pra mim, Dustin Lance foi muito feliz quando inseriu no filme o personagem de um jovem adolescente que liga para Milk dizendo que seus pais pretendem interná-lo por ser gay. Milk então diz ao garoto que fuja de casa, procure amigos que o aceitem e não deixe que seus pais o tratem como uma aberração. O garoto diz então que não pode fugir. A câmera se afasta e descobrimos que ele é cadeirante. Temos ali um símbolo de todos nós, que podemos nos paralisar frente ao medo de enfrentar um mundo que nos quer oprimir, seja por qual motivo for.

Muito provavelmente, Dustin se sentiu alguma vez na vida limitado como aquele personagem. Todos nós já nos sentimos assim. Mas, belamente, o adolescente aparece mais uma vez no filme para nos mostrar que essas barreiras — externas e internas — são superáveis. (Re)vejam o discurso de Dustin. Vale a pena.

Abraços.

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