Pra não dizer que não falei…

Provavelmente por causa das lembranças de 1968 que andam rolando este ano, eu tenho andado um bocado bélico. Saio atirando por aí. Mas para não dizerem que não falei das boas coisas, faço aqui o elogio a dois veículos que têm tratado os artistas independentes ou de grandes gravadoras de forma igualitária — o que já defendi em alguns textos publicados por aqui.

Não é de agora que a Rolling Stone tem dado espaço a bandas, cantores e compositores independentes nas suas páginas. Em várias seções, seja nas pequenas matérias sobre o mundo da música, no playlist de melhores canções do mês, ou na seção de críticas, é comum vermos artistas como Metallica ou Fresno dividirem o espaço com bandas como Lucy and the Popsonics e Hurtmold. Na última edição, na qual tive a alegria de ver meu disco resenhado, notei, feliz, que os quatro primeiros lançamentos analisados eram o de Frejat, Wado, Erykah Badu e o meu ‘Dias mais tranqüilos’.

Posso, é claro, discordar de uma abordagem ou outra em algumas reportagens. Mas, no geral, a linha editorial da revista merece aplausos por não reservar um espaço mínimo aos independentes como fazem alguns veículos que mantêm apenas uma página ou seção para quem não está ligado a uma grande gravadora, que mais parecem um curralzinho para não-famosos. A Rolling Stone parece, na medida do possível, dosar bem a relevância dos artistas, seja por sua exposição em festivais ou sites, seja pela qualidade dos seus trabalhos. É a prova de que dá para tratar os independentes como o que eles são de fato: artistas.

O outro belo exemplo vem aqui de Brasília. Desde que assumiu a direção da rádio pública Cultura FM, Marcos Pinheiro colocou no ar uma programação que emenda, de forma natural, Johnny Cash, Bob Dylan e Mallu Magalhães; ou Superquadra, CSS e Peter Bjorn and John. Há lugar também para MPB e um bando de outros estilos. E o melhor: um grande espaço para os artistas locais, dando chance de o público interessado descobrir a produção feita na própria cidade.

Às vezes fico me perguntando o quanto as rádios comerciais não poderiam ganhar ajudando alguns artistas a obterem projeção local, podendo depois ter esses mesmos artistas, de forma bem barata — pois os cachês não seriam astronômicos nem haveria custos com passagens —, tocando em eventos promovidos pelas mesmas rádios. Parece que seria o bom e velho todo-mundo- ganha, mas sei lá, o sábios executivos devem ter uma resposta pronta para essa indagação.

Mas, enfim, esses dois exemplos deixam a certeza de que é possível direcionar um veículo que trabalha com música de forma livre, sem amarras, adotando critérios como qualidade e relevância; e não apenas o dos jabás e do poder econômico.

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