Críticas de ‘Dias mais tranqüilos’

Saíram algumas críticas legais sobre o disco novo. Abaixo, a do Tiago Faria, no Correio Braziliense. Mais abaixo, os links para vocês lerem as outras.

Depois do temporal
Tiago Faria (Correio Braziliense)
Logo no título, ele promete dias tranqüilos. Mas, três anos depois de expurgar tristes canções de amor em ótima estréia (Lançando sinais), Beto Só retorna com um álbum que sugere melancolia mesmo quando força o sorriso. “Sombras e nuvens, nunca mais”, ele avisa, em Com café e leite. Que ninguém leve ao pé da letra o elogio à serenidade. Como um primo brasiliense de 4, do Los Hermanos, este é um disco de frágil placidez – um desconfiado suspiro de alívio depois de um longo temporal.
“Sou todo medo, mas metade sou coragem”, admite, em Vida boa não é vida ganha. O auto-retrato, esse sim, soa sincero e preciso. Em Lançando sinais, Beto impressionava como um autor de melodias maduras para versos inseguros – um pop introspectivo, de forte carga confessional. Sem o efeito-surpresa provocado pelo trabalho anterior, Dias mais tranqüilos prefere a conquista lenta, sutil. O discurso faz o possível para evitar a agonia juvenil de Isadora e Meus olhos, mas não descamba em marasmo.
Em um texto de blog, Beto elegeu O vencedor “a canção mais importante dos anos 2000”. O hit do Los Hermanos funciona como um guia eficiente para Dias mais tranqüilos. “Levo a vida devagar pra não faltar amor”, cantava Marcelo Camelo. A filosofia parece mover este renovado Beto Só, que a reforça com um cauteloso grito de guerra em Vida boa não é vida ganha: “O caminho é longo, mas não tenho pressa”.
Para um álbum que abre e fecha em clima otimista, o velho desespero escorre em canções como Meu velho Escort e Abre a janela. “Mais um falso início, e só vento em minhas mãos”, lamenta Beto em O espaço de nada, uma das recaídas cruéis do disco. Como narrador de tragédias amorosas, ele continua afinado. Mas é nos trechos menos sombrios que se arrisca de verdade. Aí, não falta coragem. A gentileza de Todos logo ali, Os dias mais tranqüilos e Com café e leite parece até homenagem ao Renato Russo ensolarado de O descobrimento do Brasil (1993). “Vamos sair pra ver o sol”, conclama.
Para reforçar as nuances do letrista, os teclados de Tiago Ianuck e o violoncelo de Ataíde Mattos acrescentam uma gama de detalhes a baladas levadas em guitarra, violão e piano, tratadas sem grandiosidade pela produção de Philippe Seabra (o piano delicado de Desatento, à Elliott Smith, é ponto alto). Até a capa do álbum, reprodução de obra de Cecília Mori, colabora para a atmosfera de um período de estiagem, com céu colorido e árvores secas. “E se chover, pode deixar. Deixa cair se é pra limpar”, conclui Beto. Cada vez mais solitário no entardecer da capital do rock, ele segue em frente.
Outras críticas
> Jornal do Estado (PR) // “Um episódio brilhante da música alternativa brasileira.” Ler
> Site Alto Falante // “Um disco com uma ternura e inconformismo que soam verdadeiros.” Ler
> Blog Coisa Pop // “Com ‘Dias Mais Tranquilos’, Beto Só, além de consolidar sua carreira com um bonito trabalho, faz um disco que alimenta não o coração, mas a alma.” Ler
> Blog De Inverno // “Um disco pra se curtir do começo ao fim, e que mostra que, longe dos hypes vazios e das figurinhas carimbadas de sempre, existe sim vida inteligente e música de primeira categoria feita por gente de verdade nesse Braziú!” Ler
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