Crítica – ‘Dias mais tranqüilos’

Por Adriane Perin

Desde que um email trouxe a notícia de que estava disponível, só pra audição no My Space, o novo disco do brasiliense Beto Só que não consigo parar de ouvi-lo – agora já com as 11 canções devidamente baixadas da mesma página do grupo no site, onde o download gratuito é possível até dia 20/04. Quem preferir o disco “físico”, basta esperar o lançamento pelo selo Senhor F Discos.
Essa audição compulsiva não é fruto da falta de opção, mas provocada por mais um episódio brilhante da música alternativa brasileira. Sinais de Fumaça, o álbum anterior do songwriter Beto Só – nome artístico do jornalista Humberto Rezende – já dizia a que o rapaz veio. Para pôr ternura e delicadeza nesse mundo musical que tantas vezes é tão cheio de pose quanto qualquer outro. O songwriter tem companhia de ilustres companheiros para transformar o que sente e pensa em música apurada que combina sofisticação a um viés pop.
Dias mais Tranqüilos, o disco, é resultado da contribuição de outras mãos e ouvidos muito bem sintonizados. O “rude plebeu” Philipe Seabra mostra mais uma vez que tem mesmo uma sintonia fina e faro aguçado para detectar coisas boas nesse mar de bandas que o circuito independente se tornou. Assina a produção.
Nos créditos deste que é o décimo lançamento do selo independente Senhor F constam também os irmãos Dreher, Thomas e Gustavo, a dupla gaúcha que onde mete o bedelho deixa um marca não só de competência (que ela sozinha não é suficiente), mas especialmente de sensibilidade pra timbres e para evidenciar o melhor daqueles com quem trabalham. É só prestar atenção nos detalhes, no som de cada instrumento para notar que esse disco é resultado de uma entrega cuidadosa em todas as etapas de feitura.
E firma, definitivamente, a marca, o ritmo, a pulsação de Beto Só. Um canto que puxa a gente, desarma primeiro, para depois derrubar, enquanto vai soltando relatos de coração machucado; diário de uma vida que se sublima em canção (“Pára de ranger os dentes/ de frear a própria vida/ entra e fica em paz/ com a gente”). Um debulhar de sentimentos; jorros de amores – perdido, desgastado, renovado, não desejado, inescapável e, por fim, irremediável (“Não me deixa/ não me esquece/ não me larga/ não me mata/ (…) vê se me esquece, vê se não liga, vê se não volta/ vê se morre”).
Tudo começa com as letras, arrebatadoras, que (não) escondem emoções intensas em baladas que entregam um coração carregado de uma busca que não acaba nunca (“Quero estar desatento pra você chegar”). Aconchego de abraços afáveis (“O pior já passou/ você me faz ver/ eu era mesmo merecedor de dias mais felizes/ de tempos menos nublados/vem aqui me iluminar com seus olhos pequenos/ me faz rir/ e me ensina aproveitar os dias mais tranquilos”). Dias tão corriqueiros quanto preciosos (“…sentar ao balcão com gente de fé/ depois trabalhar/ … deixa cair se é pra limpar”) Serenidade, ternura, arrebatamento, inconformismo em forma de baladas que traduzem instantes da procura incessante por algo que de tão perto, às vezes, embaça tudo (“… quero estar desatento pra você chegar”).
Dias mais tranqüilos foi gravado no Estúdio Daybreak, em Brasília, mixagem de Gustavo e masterização de Thomas. Os responsáveis pelos belos detalhes instrumentais – que nunca cansam os ouvidos – são Beto Cavani (bateria), Ju e Bruno Sres (guitarras), Philippe Seabra (baixo) e Felipe Portilho (teclados). A capa terá imagem de Cecília Mori, artista plástica brasiliense. O lançamento oficial está previsto pra maio. Até lá, só no my space.
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